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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Doctor Who - Parte II - A Série Moderna

Salve, povo! Novamente encontro-me aqui para falar sobre minha série favorita: Doctor Who! Neste post, além de separar as eras por atores diferentes que interpretaram o Doutor, também separarei por companions/temporadas, visto que cada uma é apresentada e desenvolvida de forma diferente. Como vocês puderam ver no post anterior, a série manteve um sucesso fixo por 26 anos até ser cancelada, além de ter tido um filme para a tv em 1996. Mesmo assim, isso não pareceu afetar a determinação do produtor Russell T. Davies, que fez a série retornar em grande estilo em 2005.

Davies conseguiu não só ressuscitar uma série clássica que estava quase esquecida na BBC, como também apresentou-a a toda uma nova geração de nerds no mundo inteiro (inclusive eu!), que, claro, começaram a ter curiosidade em assistir não só esta nova série, como a antiga também. Confesso que demorei bastante para começar a assistir, mas assim que comecei, não parei até terminar todas as temporadas disponíveis! Em junho de 2012, a primeira temporada (de 2005) finalmente foi lançada no Brasil em DVD, porém sem nenhum extra, nem sequer o especial de natal, apenas com faixas de áudio em Português e Inglês, e legendas em Português. As demais temporadas seguem sem data de lançamento em DVD no Brasil, apesar de já terem sido exibidas na TV Cultura.


A primeira temporada começa apresentando-nos Rose (Billie Piper), uma pacata garota londrina que tem sua vidinha totalmente transformada ao conhecer o Doutor (Christopher Eccleston). Juntos, eles passam a viajar para o passado e futuro, visitando planetas distantes bem como a própria Terra em tempos diferentes. Com o tempo, Rose decide que nunca mais quer voltar para casa, pois sua vida viajando na TARDIS com o Doutor é muito melhor do que qualquer outra coisa que ela poderia querer, e, assim, surge uma amizade especial entre os dois.

A nona encarnação do Doutor retratada por Christopher Eccleston é simplesmente magnífica. Do homem sereno, pacífico e amável do filme de 1996 (personificado por Paul McGann), o Doutor agora se vê como um sobrevivente da Guerra do Tempo, um homem que guarda suas mágoas dentro de si para não ferir ou preocupar os outros. Mesmo assim, ele não deixa de ser o Doutor que conhecemos: brincalhão, sábio e com um apreço sem tamanho pela Terra e seus habitantes. Assim como sua encarnação anterior, ficou muito menos tempo na tela do que merecia, e até hoje o ator é questionado sobre uma possível volta ao papel. Segundo Eccleston, o clima nas filmagens não estava agrandando-o, e ele anunciou que sairia da série ainda no mesmo ano em que entrou, 2005.


Ao final da primeira temporada, ficamos nos perguntando: quem é esse magrelo que apareceu no lugar do Doutor!? Será que ele vai dar conta do fardo do Time Lord,  de ser a décima encarnação do mais famoso alienígena viajante do tempo e espaço? Mas é claro que sim!

Aqui entra em cena David Tennant, de forma bem maníaca a princípio (como sempre acontece ao regenerar, o Doutor está com uma certa sobrecarga de energia no corpo e passa a agir de forma impulsiva, parecendo um lunático mesmo), mas ao decorrer do tempo, passamos a amar esta que é considerada pela grande maioria dos fãs como sendo a melhor encarnação do Doutor. Sempre bem-humorado, com uma frase sábia na ponta da língua e uma personalidade sem igual, o Décimo Doutor conquistou muitos novos fãs pelo mundo, e é tido como a verdadeira razão da série ter reconquistado e multiplicado sua antiga popularidade.

Conforme os episódios passam, podemos perceber o quanto Rose Tyler "tratou" do Doutor, fazendo-o não esquecer, mas superar a Guerra do Tempo e a aceitar os eventos que nela ocorreram (os quais vão sendo revelados pouco a pouco). Com isso, os dois desenvolveram uma amizade muito diferente das que teve com qualquer outra companion. Pois é: o que parece é que os dois se apaixonaram! Embora isso nunca seja explicitamente dito em tela, fica claro que o Doutor não quer mais se separar de Rose, e ela claramente o ama.

Mas esse amor, assim como os nossos corações, são arrebentados quando descobrimos que Rose Tyler deixa a TARDIS no final desta temporada. E devo confessar: o final de Doomsday é realmente um dos episódios mais tristes da série. O Doutor, então, ainda em lágrimas, vive uma aventura de apenas um episódio (a série é repleta desses especiais, grande maioria deles são exibidos no natal, entre uma temporada e outra) com Donna Noble, uma mulher que foi de alguma forma sugada para dentro da TARDIS no meio de seu próprio casamento, e acaba salvando a vida do Doutor.

Esse encontro dura apenas um especial, mas há algo em Donna, não sei bem explicar, é uma coisa especial nela que dá vontade de vê-la mais um pouco ao lado do Doutor. Bem, mas é assim, com o adeus de Rose e uma aventura com Donna Noble, que acaba a segunda temporada moderna de Doctor Who.


Aqui entra a segunda companion fixa da série moderna, a estudante de medicina Martha Jones. E a aventura de estreia, assim como a temporada que vem a seguir, já começa muito boa: uma nova raça alienígena é apresentada, um hospital viaja à Lua e começamos a ver o quanto o Doutor ainda sente falta de Rose.

Martha não é das piores companions, ela apenas não tem o mesmo carisma que as demais. Ela tenta passar a imagem de ser durona, mas o que parece é que ela é só uma amiga tentando conquistar o coração do Doutor, o qual acaba sempre menosprezando a coitada. Acho que ser a primeira companion afro-descendente do Doutor foi um grande passo mas infelizmente Martha não carrega isso muito bem, pois promete ser uma coisa e acaba sendo outra.

O final da temporada é marcado por um arco de três episódios, mostrando o retorno de um velho nêmesis do Doutor. Não contarei de quem se trata para não estragar a surpresa da chegada do mesmo, apenas assistam e apreciem um dos melhores embates da série. Ao fim da história, nos despedimos de Martha.

Entre a 3ª e a 4ª temporada, ocorreu algo até então inédito na série moderna: duas encarnações do Doutor encontram-se! Trata-se de um encontro feito para o Children in Need, uma espécie de "Tele-Ton britânico" (vou ser apedrejado por ter feito essa comparação, mas foda-se) no qual Doctor Who sempre tem uma participação muito especial com algum episódio curto, de cerca de 10 minutos. Nesse ano, o 10º e o 5º Doutor entram em contato, no que acaba por ser algo muito mais, digamos, metafórico: David Tennant é um grande fã de Peter Davison, e através desse especial ele conseguiu dizer isso não só para Peter, como para todos os whovians! Alguns anos mais tarde os dois tornariam-se sogro e genro, mas isso é uma história muito enrolada para tratarmos aqui. Em frente, à 4ª temporada!


DONNA IS BACK! Aparentemente, Donna recebeu muitos elogios e volta, dessa vez como uma companion fixa na série! Devo dizer, Donna é minha companion favorita da série atual: ela é durona, não aceita merda de ninguém e muito menos do Doutor! Aqui temos ótimas histórias, um arco final absurdamente épico, alguns reencontros emocionantes e momentos hilários. Mas, como nem tudo é um mar de rosas, Donna também não vai ficar mais do que uma temporada na série.

O mais chocante foi o que se seguiu após o término dessa temporada: David Tennant anuncia que vai sair da TARDIS e que 2009 será seu último ano no papel do Doutor! Somado a isso, o ator recebe diversos papeis em outros trabalhos, e acabamos por ter, em vez de uma última temporada com ele no papel, apenas alguns especiais aleatórios espalhados pelo ano! Triste, sim, porém apesar de esses especiais, em sua maioria, não serem de grande importância, funcionam muito bem como um adeus de Tennant à série que ele tanto amou durante sua vida e onde conseguiu um grande destaque a nível mundial.


Houve uma grande especulação de que o próprio especial de natal de 2008 já contaria com a regeneração: o título do episódio foi anunciado como "The Next Doctor", ou seja, "O Próximo Doutor"! O Doutor em questão era David Morrissey, ator que na época estava no topo das cotações para o papel, o que só aumentou as especulações e euforia geral a respeito.

O arco final, The End of Time, foi dividido em duas partes, a primeira exibida no natal de 2009, e a segunda na noite de ano novo 2009/10! Isso sim é que é maneira de apresentar um novo Doutor! Nesse especial, o Doutor está face a face com uma ameaça que pode trazer de volta toda o terror da Guerra do Tempo, e pior ainda, o fim do tempo como o conhecemos!

Após uma dramática despedida de todos os seus companheiros de aventura, a vida do 10º Doutor chega ao fim, dando lugar a Matt Smith, o mais jovem ator no papel.


Logo após regenerar, o 11º Doutor acaba no jardim da jovem Amy Pond, uma criança aparentemente solitária. Após passar uma noite na casa da garota, o Doutor parte, prometendo voltar logo em seguida. Infelizmente, devido a  uma avariação na TARDIS, em vez de voltar em 5 minutos, o Doutor volta 12 anos depois, e encontra Amy já adulta! Após uma aventura com ela e definir seu novo visual, o Doutor parte mais uma vez, sozinho, para voltar 2 anos depois e levar Amy para algumas aventuras. Ah, a TARDIS também regenerou, mudando o visual interior e deixando o exterior um pouco mais parecido com a primeira versão, dos anos 60. A sonic screwdriver também é refeita, ficando maior e com uma luz verde, ao contrário da anterior que tinha luz azul.

Confesso que com o 11º Doutor eu demorei muito mais para me acostumar, começando pela companion. Amy Pond, pra mim, é extremamente irritante e chata, e não consigo me importar nem um pouco com ela! Só depois que seu namorado/noivo/marido Rory Williams passa a viajar com eles é que as coisas ficam melhores. E é nessa temporada também que conhecemos melhor River Song, uma misteriosa personagem que participou de uma história na 4ª temporada, mostrando saber muito sobre o Doutor mesmo ele não conhecendo-a na época. Os episódios que, puxando da memória agora, gostei mais, foram Vincent and the Doctor, contando com a participação de Van Gogh, e The Lodger, que fez o Doutor conhecer um "one-time-companion", um companheiro de um episódio só, mas que em um episódio apenas já chega a ser muito mais interessante do que Amy: Craig.

Após um grande arco que confesso, foi uma boa história tirando algumas forçações de barra, chegamos ao fim da 5ª temporada, que também teve um especial de natal, muito legal também.


E então chega a 6ª temporada, com certeza a mais fraca da série atual. Começando com uma história sem pé nem cabeça envolvendo a morte do Doutor, misturando a origem de River Song no meio e culminando com casamentos, essa temporada teve poucas coisas boas a oferecer. Uma delas foi O Silêncio, uma raça alienígena curiosíssima, mas que infelizmente só deu as caras nessa temporada.

Ah, Craig dá as caras novamente em um episódio envolvendo os Cybermen, dessa vez como pai! Infelizmente essa é a última vez (até o momento) em que o veremos, um companion que poderia muito bem ser fixo em pelo menos uma temporada.

E adivinhem? Mais um final de temporada em que parece que falta algo, assim como a anterior. Confesso que gostei de a face negra do Doutor ser relembrada nessa temporada, afinal ele ainda é o  mesmo Senhor do Tempo que acabou com uma guerra e saiu como único vitorioso! Ao finzinho, temos anunciada a suposta "queda do décimo-primeiro, nos campos de Trenzalore". Isso gerou uma especulação sem tamanho na internet, com teorias e mais teorias sobre a próxima regeneração do Doutor, nesse lugar chamado Trenzalore.


A sétima temporada tomou um rumo muito diferente do que estava sendo apresentado até então: uma nova companion foi anunciada e a série foi divida em duas metades, seguindo uma nova tendência no mercado (Breaking Bad, da AMC, fez o mesmo). Mas o mais importante: essa primeira metade seria a despedida de Amy e Rory, para sempre!

Contando com algumas das histórias menos inspiradas já vistas na série, essa primeira metade serviu unicamente com esse propósito: nos despedirmos dos personagens. Mesmo tendo anunciado que a tal nova companion surgiria da metade em diante, já conseguimos dar uma ~espiada~ nela logo no primeiro episódio, e no especial de natal, porém em instâncias diferentes (quer entender? Assista, eu não vou explicar aqui).

Confesso que achei o "fim" de Amy e Rory muito bom. A história teve alguns furos, comuns na série, mas foi um final relativamente emocionante e que afetou profundamente o Doutor, a ponto de ele se isolar na Londres vitoriana, mudar seu visual e o da TARDIS e conviver com um trio bizarro (um Sontaran domesticado, uma Siluriana e sua esposa humana). Porém, precisamos de aventuras, e foi no especial de natal que Clara Oswin Oswald deu as caras novamente, instigando o Doutor a procurar respostas para essa "garota impossível".


Dando um contraste forte com tudo o que vimos até agora com o 11º Doutor, essa metade final de temporada mostrou-se bastante diversificada e nos fez apaixonar-nos por Clara, a nova companion. Claro, os episódios são quase todos fillers com histórias independentes, mas isso não os impede de serem ótimos (o discurso do Doutor em The Rings of Akhaten foi, de longe, o melhor momento até agora da atual encarnação dele).

O episódio final da temporada foi anunciado com antecedência: "The Name of The Doctor" (O Nome do Doutor)! Claro que os fãs mais ávidos sabem que esse nome nunca foi (e certamente nunca será) revelado abertamente assim, e obviamente tratou-se de mais uma "pegadinha" da produção. De qualquer forma, o episódio foi o melhor da temporada inteira, e terminou de maneira inexplicavelmente foda, apresentando de surpresa e soco na cara um novo personagem crucial, o qual não revelarei aqui porque não sou uma vadia spoileadora.


Aniversário de 50 anos, especiais e um novo Doutor!

Caso não tenham feito a conta, ou eu não tenha mencionado, agora em 2013 completa-se 50 anos de Doctor Who! E isso não está passando batido, pois no exato dia do aniversário irá ao ar um episódio especial, que contará com o 11º Doutor e Clara, e também o 10º e Rose, que retornarão para apenas esse especial! Além disso, o personagem misterioso introduzido no final da temporada anterior também terá um papel-chave na história.

Porém, como nem tudo são flores nesse ano, Matt Smith anunciou que estará deixando o personagem no especial de natal! Uma notícia brutal para muitos fãs que conheceram a série recentemente, no boom que ela teve na internet em 2012. Após muita especulação e quase dois meses de espera, o próximo Doutor foi anunciado em um evento especial ao vivo da BBC: Peter Capaldi será a 12ª encarnação do Senhor do Tempo.

Capaldi já participou da série em um episódio da 4ª temporada, mas isso não quer dizer nada, afinal no mesmo episódio estava Karen Gillan (então futura Amy Pond). Antes disso, Freema Agyeman (então futura Martha Jones) morreu nas mãos dos Cybermen na 2ª temporada. E na série clássica, uma temporada antes de se tornar o 6º Doutor, Colin Baker era o Comandante Maxil, e enfrentou o 5º Doutor! Ou seja, NADA o impede de voltar à série como um personagem principal.


A escolha de Peter Capaldi (que tem 55 anos, mesma idade que William Hartnell tinha ao encarnar o 1º Doutor, ambos empatados como os mais velhos no papel) chegou como um divisor entre os reais whovians e as fãzinhas que "assistiam" por amor aos Doutores gostosões Tennant e Smith. Particularmente eu adorei a escolha, e mal posso esperar por essa regeneração, afinal o Doutor mais jovem vai se tornar o mais velho até agora!

À parte disso, haverá também o biográfico "An Adventure in Space and Time", contando sobre a criação da série e estrelando David Bradley no papel de William Hartnell, e consequentemente, o 1º Doutor! Também teremos o não-tão-conhecido Reece Shearsmith como Patrick Troughton/2º Doutor. É, 2013 realmente é um ótimo ano para ser um whovian...

Muito bem meus queridos, chegamos FINALMENTE ao fim dessa postagem sobre a minha série favorita! É realmente muito, muito difícil falar resumidamente sobre algo que gosto tanto, e peço mil perdões pelo absurdo intervalo de UM ANO entre a parte I e a parte II. Caso eu os tenha convencido a conhecer a série, nos links de parceiros no lado direito do blog encontram-se alguns sites especializados na série, e eu recomendo com todas as minhas forças.

Allons-y e goodbye!

sábado, 25 de agosto de 2012

Doctor Who - Parte I - A Série Clássica

Olá meus caros 5 seguidores! Após certa omissão de nossa parte, venho aqui com uma tarefa difícil: falar sobre uma série gigantesca e que está tomando um lugar cada vez mais alto entre as minhas favoritas: Doctor Who! Este será o primeiro de uma série de posts sobre a série. Pretendo falar primeiro sobre a série clássica, depois sobre a atual, em um post separado que ainda está em desenvolvimento!

"Oh, mas e Supernatural?" algum de vocês possa querer me perguntar. Sim, Supernatural foi uma série muito importante para mim, foi basicamente a série que me fez começar a gostar de séries em primeiro lugar, mas tem se tornado uma decepção tão grande que precisarei de muito mais motivação para escrever sobre ela, o que não será agora.

Time And Relative Dimension In Space

Doctor Who é uma série britânica do canal BBC, que estreou em 23 de novembro de 1963 às 17h 16min e 20s (um dia após o infame assassinato do presidente americano John Kennedy, o qual não possui absolutamente nenhum vínculo com a série), e manteve-se firme e forte como a série de ficção científica mais longa da história até ser cancelada em 6 de dezembro de 1989, totalizando 26 temporadas, as quais são divididas em 155 'arcos' (uma forma de dividir cada aventura de forma separada, mas que mesmo assim possuem uma cronologia única ao todo) e com um total de mais de 700 episódios. Em 1996 foi realizado um filme para a televisão chamado simplesmente "Doctor Who". Desde então, não se ouvir mais falar na série até o produtor Russell T. Davies começar a organizar um retorno da série, que estreou em grande estilo em 2005, seguindo a cronologia da série antiga, não sendo um remake ou reboot como se imaginou a princípio.

Primeiro de tudo: Doutor quem? Por que a série é chamada assim? Bom, é por causa de seu protagonista, um simpático senhor chamado Doctor, vindo do planeta Gallifrey para a Terra. A série narra suas aventuras em companhia de humanos, geralmente garotas, dentro da TARDIS, sua nave que por fora está disfarçada de uma cabine de polícia dos anos 60. O Doctor é um Senhor do Tempo, a raça natural de Gallifrey, e como tal, pode ativar um "mecanismo" em seu corpo que muda todas as células de seu corpo a fim de evitar a morte, porém ao fazer isso, ele muda também sua aparência e personalidade, permanecendo apenas as memórias. Assim, Doctor Who se mantém como uma série em constante mudança e crescimento, já que seu personagem principal não depende do ator para continuar as aventuras.

(Grande parte do que falarei sobre a série antiga será retirado de horas e horas de pesquisas e documentários, visto que é extremamente difícil encontrar episódios da série na internet.)


Até hoje, 11 atores diferentes encarnaram o Doctor: o primeiro foi William Hartnell, que ficou desde a estreia da série, em 1963, até 1966. O primeiro Doctor era um velho rabugento porém muito inteligente, que se julgava superior aos humanos. Com o tempo, o convívio com seus companheiros de viagem foi amolecendo os corações dele, o que fez ficar mais agradável e compreensivo, além de passar a se importar muito com os outros. Um fato curioso é que no começo da série, ele possuía uma neta, Susan Foreman. Susan deixou de viajar com ele pois se apaixonou por um rapaz, e não se ouviu falar nela até o especial "The Five Doctors" em 1983, quando fez uma participação especial. A princípio, o conceito da regeneração do Doctor não era imaginável, sendo que só foi criado para justificar a saída de Hartnell, que estava com problemas de saúde e precisou abandonar a série.


Para não cancelar o programa, que então já dava uma boa audiência, o ator Patrick Troughton foi chamado. Contrastando fortemente com o "vovô" que Hartnell representava, Troughton era muito mais liberal, engraçado e muitas vezes cabeça-dura, sendo mais parecido com aquele tio que vemos em reuniões familiares. Ele também sempre carregava uma flauta, que gostava de tocar quando estava em segurança com seus companheiros de viagem. Muitos dizem que Patrick Troughton foi realmente quem mostrou como o Doctor era: uma pessoa bondosa e divertida porém com um lado sério e calculista sem igual. Patrick mais tarde iria abandonar o papel para "não ficar marcado demais por ele", ato que influenciaria também outros atores a encarnarem o Doctor em gerações futuras.


1969 foi o ano em que a série sofreu mudanças significativas, quando Patrick abandonou o posto de Doctor para dar lugar a Jon Pertwee, que estreou em 1970. Pertwee era um Doctor muito diferente dos anteriores: costumava usar golpes de luta para se defender dos agressores, possuía uma personalidade bastante enérgica e era um exímio inventor. Nesse período, meio contra sua vontade, o Doctor começou a "trabalhar" para a UNIT, uma agência da Terra que investigava e combatia inimigos extraterrestres. Foi durante essa fase que o Doctor conheceu Sarah Jane Smith, até hoje considerada uma de suas companheiras mais importantes.

Todos sorri

Em 1973, com o aniversário de 10 anos da série, um especial chamado "The Three Doctors" foi ao ar, mostrando os (até então) três Doctors contracenando juntos. Como Hartnell ainda estava muito doente, ele não chegou a fazer nenhuma cena junto com Troughton e Pertwee, apenas sessões de fotos promocionais, além do fato de ter lido todas as suas falas de cartazes que ficavam atrás das câmeras, pois seu estado de saúde se agravava cada vez mais. William Hartnell veio a falecer em 1975, por consequência de um infarto, enquanto dormia.


No ano seguinte, porém, Jon Pertwee deu lugar ao desconhecido Tom Baker, que praticamente causou outra grande revolução na série. O jeito jovial, carismático e elétrico de Tom garantiram a ele o título de melhor Doctor de todos (o que só foi superado recentemente, mas chegaremos lá). Ao contrário de suas encarnações anteriores, que usavam roupas de época e condizentes com suas aparências, o quarto Doctor utilizava um grande e comprido casaco, um chapéu de abas largas e um cachecol colorido que parecia não ter fim, sempre de arrasto enquanto ele caminhava e corria. Sua popularidade e comprometimento com a série também o fizeram ficar sete anos no papel, sendo o ator a mais ficar no corpo do Doctor até hoje.


Porém, com a chegada dos anos 80, uma mudança era necessária. E foi então que em 1981 Tom Baker dá lugar a Peter Davison, que na época tinha apenas 29 anos de idade. Contrastando fortemente com seus anteriores, Davison mostrou um Doctor mais elegante, que gostava de jogar cricket e de manter um ramo de aipo preso em sua roupa. Assim como Troughton, Davison preferiu não ficar "tempo demais" no papel de Doctor, e decidiu sair de boa vontade após apenas 3 anos.

Da esquerda para a direita: 2nd Doctor (Troughton), 1st Doctor (Hurndall), 4th Doctor (boneco do Tom Baker), 3rd Doctor (Pertwee), Brigadeiro Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney), 5th Doctor (Davison), Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), K-9 e Susan Foreman (Carole Ann Ford).

Em 1983, Patrick Troughton e Jon Pertwee se uniram a Peter Davison para o especial de 20 anos "The Five Doctors". Como William Hartnell já havia falecido, em seu lugar foi colocado Richard Hurndall (que também morreu, um ano após este episódio). Tom Baker preferiu não participar deste especial, pois achou que seria estranho retornar tão cedo à série após sua saída em 1981. Assim, foram utilizadas imagens (editadas) de um episódio não exibido de sua época como Doctor no começo do especial, para justificar seu "sumiço". Para as fotos promocionais de The Five Doctors, a produção utilizou uma estátua de cera de Tom Baker, o que resultou em fotos (na minha opinião) extremamente toscas (veja essa acima deste parágrafo, por exemplo). O especial, assim como o anterior, mostrava todas as encarnações do Doctor unindo forças para enfrentar um grande mal.


Em 1984 chegou Colin Baker para o papel, utilizando roupas coloridas e mostrando uma personalidade agressiva, egocêntrica e mal-educada. Apesar de ter o mesmo sobrenome, Colin não era parente de Tom Baker, ao contrário do que pensavam os fãs da época. Suas roupas e personalidade refletiam claramente o fenômeno de cores e o começo da música eletrônica da metade da década de 80. Colin Baker foi e até hoje é considerado o pior ator a ter encarnado o Doctor, sendo que chegou a ser demitido da BBC, e sua cena final teve que ser feita no improviso pelo Doutor seguinte usando uma peruca (pois é). Logo ao começo da era Colin Baker de Doctor Who, a série sofreu um hiato de 18 meses, pois o canal alegava que a série estava ficando "muito violenta", devido ao fato do Doctor ter ficado um pouco "psicótico" no começo desta regeneração. Vale citar que Doctor Who sempre foi (e até hoje é) uma série infanto-juvenil, e atualmente recebe censura 12 anos no Reino Unido.


Por fim, em 1986 chega Sylvester McCoy, mostrando novamente um Doctor com bastantes rugas na cara e uma personalidade afetiva e cuidadosa com seus companheiros, porém manipulador e um pouco ardiloso. McCoy ficou presente até o cancelamento da série em 1989. Curiosamente, uma nova temporada foi prometida para estrear em 1990, estando com roteiro pronto e, pelo que alguns sites dizem, algumas cenas filmadas, porém nada disso sequer viu a luz do dia.


Sete anos se passaram, o mundo começava a era da Internet. E foi em 1996 que Sylvester McCoy retornou ao papel por alguns instantes, para regenerar para Paul McGann no filme feito para a televisão. Até hoje, McGann foi o Doctor que ficou menos tempo em cena, tendo participado apenas nesta aventura, e narrando vários audio-books posteriormente.

Dois anos mais tarde, a BBC produziu e exibiu um documentário chamado "The Missing Years", relatando como vários e vários episódios de Doctor Who foram perdidos dos seus arquivos, sendo que até hoje estão sendo recuperados para lançamento em DVD. Grande parte das aventuras dos dois primeiros Doctors são inéditas para muitas pessoas hoje em dia, pois foram perdidas após suas exibições na televisão e nunca lançadas em VHS ou DVD.

Durante muito tempo pensou-se que Doctor Who havia acabado, sem um fim adequado. Eis que chega 2005, com o produtor Russell T. Davies liderando uma equipe da BBC para um ressurgimento em grande estilo da série.O meu próximo post falará desta "nova" série em particular, a qual assisti e assim poderei falar com mais segurança e detalhes. Então preparem-se, pois será fantastic!


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Momento desabafo e reflexão u_u

Pessoal, agora há pouco vi nas atualizações que um amigo meu entrou nesta comunidade. Caso algum de vocês não tenha orkut, eu resumo: a comunidade diz, de forma irônica, que toda a violência causada por filmes exibidos 'inconsequentemente' por emissoras abertas de televisão, no Brasil, moldaram o caráter de quem os assistiu, pois eram crianças. Neste post, tentarei mostrar a vocês o porquê de eu achar essa uma das comunidades mais ridículas que já vi.


Comecemos pelo nome: 'A tv aberta moldou meu caráter'.

Ok.

Qualquer pessoa que diga isso de uma forma não-irônica e não-cômica, tem sérios problemas. Pra começo de conversa, as mesmas pessoas que reclamam disso, poderiam muito bem sair da frente da tv, ir pra rua, conhecer pessoas novas, conversar, SOCIALIZAR Tá violento? Tá explícito? Tá erótico? Tá ruim? Não assista, pronto!

Cresci acostumado com a seguinte regra: TEM MEDO, NÃO ASSISTE! E eu era teimoso, assistia Brinquedo Assassino, Criaturas e tudo mais, em pleno Cinema em Casa do SBT, e de noite era um martírio pra conseguir dormir. Mesmo assim, creio que eram tempos dourados e que jamais voltarão.


Quem não se lembra também do falecido Cine Trash da Band? Aquilo sim era uma ótima opção para ver bons filmes de terror na TV aberta, digo isso pois sei que não passavam apenas filmes trash, mas muitos sérios também, como o remake de A Noite dos Mortos Vivos de 1990. Como era apresentado pelo mestre Mojica em forma de sua contraparte Zé do Caixão, ele é taxado até hoje como MESTRE DO TRASH, mesmo que seus filmes sejam todos dotados de temáticas sérias e macabras.

Ta, vou parar de puxar saco dele pq pessoalmente, dos poucos filmes dele que assisti, o único que me agradou foi Encarnação do Demônio (2007).

Mas não fujamos do assunto principal: o que mudou na censura aplicada nas emissoras de televisão? Muita e pouca coisa, ao mesmo tempo.

Se em 1998 lembro-me de assistir A Bolha Assassina derretendo gente em plena tarde, hoje podemos ver cenas praticamente eróticas e situações ridículas em novelas dos mais variados horários. Creio que esse mundo fantasioso onde todo mundo é rico e bem educado que as novelas passam é muito mais nocivo à mente das crianças do que qualquer alienígena assassino.

Até porque, naquele tempo as crianças realmente TINHAM MEDO de filmes de terror. Adolescentes, claro, ainda eram rebeldes e assistiam para provar sua coragem. Mas crianças, assim como eu disse anteriormente, SABIAM que iriam ficar com medo se assistissem, e a maioria não assistia.


Quanto à violência, não há do que reclamar contra. Se naquele tempo víamos bonecos possuídos matando, carros atropelando, vampiros decapitando e zumbis devorando pessoas em filmes completamente ficcionais, hoje vemos nos jornais coisas muito piores, infelizmente reais.

E o que falar da política atual no Brasil? O que comentar, a não ser que se trata de uma completa vergonha? Será mesmo que esse é um exemplo, um modelo melhor a se seguir, do que assistir filmes e desenhos completamente irreais e inofensivos?

Além disso, a mensagem que a TV de hoje tenta passar às crianças é falha e errônea. Exibem desenhos extremamente estúpidos e cheios de mensagens e lições de moral. Porra, até onde eu sei, um desenho animado serve para divertir, a educação ou mensagem é algo totalmente consequente. Mas o que se vê hoje são morais sem mais nada. Desenhos que deveriam ser para crianças de até 10 anos não divertem nem os de 7.

Além disso, na parte dos desenhos adultos, vemos apenas críticas de uns para os outros. Porém, deixo claro que por mais que eu diga isto, minha opinião sobre Os Simpsons ainda permanece a mesma: o desenho é FODA e não tem pra muer! Mas de um certo tempo pra cá, andam sendo criadas toneladas e mais toneladas de produções na mesma linha e usando até o exato mesmo tipo de linguagem. Pra que isso? Concorrência? Não quando são desenhos produzidos pelos mesmos estúdios, creio eu.


Sei que a essa altura desse texto devo ter atingido todos os itens que compõem as palavras hipocrisia e contrariedade, mas sei lá, minhas ideias são confusas e ainda não sei a melhor forma de me expressar quando a elas. E enquanto eu não encontrar o meio ideal, KISS MY FAT ASS =D

Falando nisso, percebi que to falando muito de mim ultimamente por aqui, o que acham disso? Pela primeira vez, decidi pedir a opinião de vocês, então comentem, meus fiéis 6 leitores! Também penso em fazer um vlog, mas minha webcam é um lixo e ainda o microfone é nela mesma, então o som sairia um lixo ><

Esse post terá uma continuação. Um dia.

Anyway, comentem, mostrem que vocês existem e que não estamos postando isso aqui só para nós mesmo!