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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cinema Expresso #2

Olá pessoal! Voltei hoje com essa seção do blog, espero que tenham gostado pois pretendo repeti-la sempre que possível. Vou tentar manter essa seção reservada a filmes mais recentes, de no máximo 2 anos antes do ano de postagem, pra tentar deixar meio atualizado. Enfim, vamos aos filmes da vez!

Um Fantástico Medo de Tudo
(A Fantastic Fear of Everything, Crispian Mills & Chris Hopewell, 2012)

Um dos escritores mais cagões da história enfrenta traumas de infância e demais fobias em uma noite bizarra, na árdua tarefa de tentar ficar pronto para uma entrevista. Em uma atuação brilhante, Simon Pegg mais uma vez rouba o filme para si, provando que é um dos maiores atores-revelação do século XXI. Cada vez que algo assustador está à espreita, nos sentimos na pele do personagem, pois Pegg consegue realmente nos fazer sentir como ele, aterrorizado pelo mínimo barulho em seu apartamento, criando paranoias absurdas e se sentindo cada vez mais insano à medida que a noite passa. Muito recomendado para fãs do ator e de comédias britânicas em geral. Nota: 4/5.

Looper (Rian Johnson, 2012)

Em um futuro não muito distante, a viagem no tempo foi descoberta, fazendo com que a máfia tenha que descobrir novos modos de encobrir seus crimes. O mais criativo que encontraram foi o de enviar os desafetos 30 anos para o passado, contratar loopers, novos tipos de capangas que assinam um contrato vitalício com as famiglias e são pagos em barras de prata (que não valem tanto quanto as de ouro, que valem mais do que dinheiro) e ordenar esses loopers a matar os indivíduos e sumir com seus corpos. O problema do contrato dos loopers, é que em 30 anos eles fecham o loop e também são enviados para o passado, para serem mortos por eles mesmos. Confuso? Pois é, isso é apenas o começo da sinopse do filme! Partindo com uma grande premissa de viagem no tempo, paradoxos e demais temas wibbly-wobbly, Looper começa como um filme de ação com ficção científica fantástico, mas aos poucos vai despencando e saindo completamente fora do tema inicial, apelando a clichês típicos e previsíveis. Uma pena mesmo esse filme desandar tanto da metade para o final, pois a ideia de viagem no tempo anda meio esquecida no cinema ultimamente, um fato um tanto estranho tendo em vista a cultura atual e as tecnologias disponíveis na área. Nota: 2/5.

V/H/S (muitos diretores, 2012)

Lembram da moda de filmes com câmera na mão, tremendo o tempo todo, tentando causar certo suspense mas que só funcionou em um ou dois casos? Pois bem, aqui temos uma coletânea de "contos", por assim dizer, todos apresentados desta forma e em forma de fitas VHS, com todas aquelas falhas gráficas, tela com algum canto tremendo, sujeira na fita, etc. A proposta é bastante interessante, ainda que um pouco datada (fitas em 2012) e por vezes sem sentido, como o fato das imagens das fitas estarem em altíssima definição, e também o conto em que a câmera é uma daquelas "câmeras-espiã" escondida no óculos de um personagem. Tirando esses detalhes técnicos, temos em mãos 6 ótimas histórias de terror, talvez nem todas tão originais (na verdade, em pelo menos uma é provável que o espectador durma), mas juntas agregando muito e mostrando histórias originais pra caramba em uma época de remakes, reboots e demais reaproveitamentos de franquias antigas. Pelo menos um dos contos realmente conseguiu me deixar com medo, coisa que nenhuma produção "assustadora" do gênero atual sequer tentou, e quase todos me deixaram com um grande sentimento de "QUE PORRA FOI ESSA QUE EU ASSISTI!?" ao final. Enfim, uma ótima coletânea de curtas para assistir sem compromisso e talvez até se surpreender. Nota: 4/5.

A Morte do Demônio (Evil Dead, Fede Alvarez, 2013)

Bom, esse aqui dispensa apresentações, obviamente. Refilmagem pretensiosíssima de um dos maiores clássicos do horror (e o meu favorito, como alguns conhecidos devem saber), essa nova visão da história é concebida pelo desconhecido Fede Alvarez, escolhido a dedo pelos próprios Sam Raimi e Bruce Campbell. Desnecessário dizer, o filme traz para os dias de hoje o mesmo horror e violência do original, aliados a novas técnicas de efeitos práticos e muito, mas MUITO sangue. Confesso que estava com muito medo do que este filme viesse trazer, mas saí do cinema com um sorriso gigante e a sensação de que o terror afinal pode não estar totalmente perdido. Um detalhe que vale a pena ser ressaltado: os produtores garantem não ter utilizado nenhum efeito digital em cena alguma do filme, e eu realmente não consegui reparar nenhuma CGI nas duas vezes que o assisti. Enfim, uma aula sobre como homenagear um clássico absoluto, sem querer tomar o seu lugar, mas seguindo o legado e tratando-o como merece. Nota: 5/5.

As Aventuras de Pi (Life of Pi, Ang Lee, 2012)

Um garoto fica sozinho com um tigre em um barco após seu navio naufragar, e ah sim, o tigre é digital, assim como praticamente tudo no filme, menos o garoto e o barco (ué). E o filme não é nada além disso. Arrastado demais e excendo muito o tempo de filme, Life of Pi entra para o hall dos filmes que só existem para introduzir alguma nova tecnologia ou simplesmente fazer um showoff das técnicas do pessoal dos efeitos digitais (pessoal esse que ficou sem emprego mesmo com o filme ganhando vários Oscar). Um filme que não acrescenta nada, não diverte, faz você pensar por 5 minutos após o término e depois você já esquece que assistiu. Talvez sirva caso não tenha mais nada para assistir, mas até nesse ponto chega a desapontar um pouco. Nota: 2/5.

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, Shane Black, 2013)

Tony Stark ainda está psicologicamente afetado pelos eventos de Os Vingadores, mas isso não impede que novas ameaças atinjam os EUA e, especialmente, sua casa e as pessoas ao seu redor. Confesso, eu gostei do primeiro Homem de Ferro quando saiu, não assisti o segundo filme, e achei o personagem um saco em Os Vingadores, mas de alguma forma ele parece menos insuportável aqui neste terceiro capítulo. Alguns pontos da história ficaram muito fracos e forçados, mas no geral o filme cumpre o propósito de divertir, é um bom filme de herói, e só. Ah, não se iluda pelos pôsteres, praticamente todos são mentirosos. Não tenho muito o que falar sobre esse filme não, sei lá, achei o melhor da saga do Homem de Ferro até agora, mas não me surpreende em nada, foi exatamente o que eu esperava. Nota: 4/5.

Mama (Andres Muschietti, 2013)

Um pai desesperado leva as duas filhas pequenas para uma cabana no meio de uma floresta, e antes que possa fazer qualquer coisa, é morto por alguma coisa nas trevas. Anos passam e o tio das meninas (Nikolaj Coster-Waldau, aqui sendo menos incestuoso) acaba as encontrando e decide criá-las junto com sua namorada puck rocker. Acontece que o que quer que seja que matou o pai das meninas gostou delas, e as adotou como suas filhas, inclusive incapacitando seu tio e deixando a árdua tarefa de desvendar o mistério e libertar as garotas para a namorada inexperiente. Baseado em um curto feito pelos mesmos realizadores do longa, Mama até que começa bem, com ótima fotografia e lances bem originais, mas com o tempo vai ficando tão sem graça que dá pena. Nosso querido Jamie Lannister é despachado para um hospital e esquecido cedo demais na história, e não tem chance de mostrar seu talento na telona. A moça é totalmente estereotipada, uma típica "menina do rock and roll" que não sabe lidar com a vida. O mistério sobre "o que diabos é a Mama" também não é nada demais, e até que combina com os terríveis efeitos digitais que dão "vida" a ela. Provavelmente as cenas de melhor suspense são as que apenas sugerem a presença dela, em contraste com o ridículo das cenas em que ela está visível na tela. Um filme que prometia bastante, mas infelizmente morreu na praia e não vai ser lembrado por muito tempo. Nota: 3/5.

O Massacre da Serra Elétrica [3D]: A Lenda Continua
(Texas Chainsaw [3D], John Luessenhop, 2013)

Pensem em um filme clássico, pensem em algo cru e simples mas que na época de seu lançamento causou horror e tornou-se famoso por ter sido banido em diversos países, um filme cujo simples nome costumava causar impacto e deixar pessoas imaginando os terrores que poderiam haver nesse filme. Agora, espere passar quase 40 anos, adicione um caminhão de estrume, coloque uns adesivos bonitos nesse caminhão, e despeje todo o estrume em cima desse filme. Isso é o mais próximo que eu posso chegar de descrever como é esse Texas Chainsaw, um filme tão ruim, ultrajante, ofensivo à inteligência do espectador e à memória do original que chega a doer. Pois bem (essa resenha vai ser um pouco maior, não tem como resumir isso), a proposta inical era: descartar TODOS os filmes feitos após o primeiro Texas Chain Saw Massacre de 1974 e fazer uma sequência direta, contando inclusive com participações especiais de atores do clássico em pontas, e tendo na produção o diretor Tobe Hooper. Tinha como dar errado? Não sei como, mas deu, e muito! Tudo o que há aqui é um filme fácil, um terrorzinho teen que consegue ser do mesmo nível, senão PIOR do que o fracassado Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation, de 1994. NADA funciona aqui, nada faz sentido, é tudo simplesmente jogado de qualquer jeito, há tantos buracos na trama que eu nem vou me dar ao trabalho de explicar, tudo o que vou resumir pra vocês é: a família Sawyer foi multiplicada em 5 minutos após os acontecimentos do filme original, todos foram alvejados por rednecks furiosos, e agora uma garota herda uma mansão que supostamente pertenceu a alguém daquela família, e no porão dessa mansão reside Leatherface. Pra começar, façam as contas: o Leatherface do original, um filme de 1974, não poderia ter menos do que seus 35 anos. Neste novo filme, fica claro que a ambientação é em 2013, ou seja, 39 anos mais tarde. Logo, Leatherface deveria ser um senhor senil, provavelmente magro pela falta de alimentação adequada, e já deve ter passado dos 70 há algum tempo. Mas NÃO! Aqui temos um Leatherface ainda mais alto, forte e ágil do que há 39 anos atrás, que inclusive costura suas máscaras de couro na própria face, e conta com um arsenal de motosserras gigantes!!! É sério, minha gente, não há maneira possível neste planeta de um ser racional levar este filme a sério, uma produção porca e sensacionalista ao extremo, que só serve para sujar a imagem do original muito mais que as continuações e remakes fizeram; aliás, esse filme faz o remake e sua prequel parecerem obras de arte do horror! Vou parar por aqui antes que eu tenha um colapso, e deixo o aviso mais claro: mantenham-se LONGE deste filme! Se querem um filme de real terror, busquem O Massacre da Serra Elétrica original, de 1974, e não se atrevam a encarar essa diarréia cinematográfica. Nota: 0/5.

Enfim, após uns calmantes e um bom café, despeço-me mais uma vez! Concordam ou discordam dessas análises? Comentem abaixo, façam parecer que alguém lê esse blog, e quem sabe em breve eu volte com essa seção! See ya!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cinema Expresso #1

Olá pessoal! Enquanto ainda preparo o segundo post sobre Doctor Who, vou inaugurar esta seção dedicada para postar algumas impressões que tive sobre filmes que assisti recentemente, sejam eles de sucesso ou não. Eu não vou postar a sinopse oficial de cada filme, a fim de deixar tudo mais resumido e de rápida leitura, apenas prometo não entregar spoilers. Pra não me alongar e manter tudo num passo rápido, vamos lá!

Prometheus (Ridley Scott, 2012)

Anunciado como um filme paralelo à franquia Alien iniciada pelo mesmo diretor em 1979 e dando origem a um dos mais infames trocadilhos da última década ("PROMETHEUS E NÃO CUMPRIUS"), Prometheus aborda ficção científica e existencialismo em uma época futura, com uma pequena dose de horror. A referência à franquia Alien se dá ao final do filme, portanto não irei entregar. Creio que o principal motivo deste filme ter sido tão mal recebido (principalmente na internet) foi que a grande maioria esperava ver não referências, mas um novo filme da franquia Alien, o que não é. Prometheus consegue se manter firme do começo ao fim, com ótimo elenco (destaque para a linda Noomi Rapace e para Michael Fassbender) e uma trama a princípio confusa, mas que vai sendo elucidada aos poucos. Alguns momentos tendem a ser tediosos e algumas vezes dá para notar que o filme poderia ter ido mais longe, porém como há hipótese de se tornar uma franquia, vamos aguardar. Nota: 4/5.

Hitchcock (Sacha Gervasi, 2012)

Neste quase biográfico filme sobre a criação, desenvolvimento e estreia do clássico Psicose, de 1960, acompanhamos tudo o que se passava na vida do mestre Alfred Hitchcock, interpretado brilhantemente por Anthony Hopkins, sob pesada maquiagem. O elenco também conta com Helen Mirren, Scarlett Johansson, Kurtwood Smith e Jessica Biel. Confesso que nunca realmente parei para apreciar a obra de Hitchcock, porém o filme motiva e muito pessoas como eu a se interessar mais e procurar conhecer os filmes de mais sucesso dele, o que certamente farei. O filme possui as doses exatas de drama e humor negro, atendo-se a mostrar detalhes da vida de Hitchcock e inclusive contando com participações do maníaco Ed Gein. Nota: 4/5.

Django Livre (Django Unchained, Quentin Tarantino, 2012)

Tarantino volta ainda mais ao passado depois de passar pelos anos 70 em À Prova de Morte e pela Segunda Guerra em Bastardos Inglórios. Porém, aqui, creio que ele confundiu-se: o que eu vi foi um ótimo filme sobre vingança, violência e crueldade, porém foram poucos os momentos "Tarantinescos" do filme. Antes eu costumava considerar Jackie Brown o filme menos característico de sua filmografia, mas Django Livre infelizmente tomou este posto. O filme é muito bom, isso é inegável, mas não possui quase nada do estilo marcado do diretor, parecendo, inclusive, um filme feito por algum fã dele. Nota: 3/5.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, Peter Jackson, 2012)

Como foi bom estar de volta à Terra-Média! Ao contrário do que muitos me disseram antes que eu pudesse assistir, O Hobbit não é um filme infantil, apenas possui aspectos que não são tão adultos ou desenvolvidos com tanta maturidade quanto outras obras atuais, afinal é um filme de aventura e fantasia. Claro, o filme por vezes alonga-se demais, já que é apenas um livro sendo adaptado em três filmes de 3 horas cada, mas vou confiar em Peter Jackson mais uma vez, já que ele fez um trabalho perfeito em O Senhor dos Anéis. Nota: 5/5.

Terror em Silent Hill 2 - Revelação (Silent Hill: Revelation 3D, Michael J. Bassett, 2012)

Confesso que eu estava com uma grande expectativa para ver esta produção, segunda na série de adaptações cinematográficas de uma das maiores sagas de horror dos video-games. O tombo foi enorme: não só a continuação é inferior à anterior como falha miseravelmente em todos os aspectos. A história que não prende a atenção, a atuação pífia de Adelaide Clemens como Heather Mason ofuscando o talento desperdiçado de Sean Bean e Malcolm McDowell (que convenhamos, de uns anos pra cá tem jogado a carreira na privada), até os efeitos digitais, que não costumo considerar como ponto de avaliação, são inferiores ao primeiro filme, que foi lançado há quase sete anos. Extremamente decepcionante e com um clímax que não dura nem 5 minutos, Silent Hill 2 não precisava ter sido realizado, ficando no mesmo nível da franquia Resident Evil de Paul Anderson. Nota: 1/5.

007 - Operação Skyfall (Skyfall, Sam Mendes, 2012)

Comemorando o 50º aniversário do espião mais conhecido de todos os tempos, temos Skyfall, um brilhante filme que remete à época de Sean Connery no papel. Atuações impecáveis de Judi Dench, Javier Bardem, Ralph Fiennes e claro, o atual James Bond Daniel Craig. Não há muito o que se falar sem soltar um spoiler desavisado, apenas digo que mesmo não conhecendo muito da saga de Bond eu fiquei completamente louco ao final do filme. Destaque para a música-tema do filme cantada por Adele, indicada ao Oscar desse ano. Nota: 5/5.

Silent Night (Steven C. Miller, 2012)

Remake de uma produção B de 1984 que deu origem a uma saga bastante irregular (Silent Night, Bloody Night, que no Brasil teve um título diferente para cada filme da franquia), esse aqui não consegue ter nada de bom além da violência gráfica. Não possui nem uma ligação com o original, além do fato de o assassino utilizar uma fantasia de Papai Noel - e as semelhanças param por aí. Pra variar, temos Malcolm McDowell aqui também, porém atuando de forma muito mais irônica e sarcástica, como que debochando da própria carreira decadente. A única cena à parte das mortes realmente interessante é uma pequena menção à famosa cena do "Garbage day" do segundo filme da franquia antiga, que virou um viral bastante conhecido no YouTube. Por fim, dispensável. Nota: 2/5

Enfim, esses foram os filmes escolhidos para a primeira edição desta nova seção do blog. Vejo vocês no próximo post!

sábado, 3 de setembro de 2011

Os Não-Heróis de 2010

Olha só, esse blog não foi abandonado! Então eis-me aqui, em meio a trocentos trabalhos de programação para falar um pouco sobre quatro filmes lançados ano passado (um sobre os quais já falei anteriormente aqui) que são, digamos, comparados injustamente por terem um princípio básico em comum.


A linha de padrão entre essas 4 obras é bem básica: um cara simples, que se dá mal em praticamente tudo na vida, um dia percebe que as coisas não vão bem e resolve virar um herói igual os dos quadrinhos, só que sem poderes especiais nem nada. Essa é a premissa extremamente crua de cada um desses quatro filmes.

Isso é comum, histórias baseadas em uma premissa pré-determinada sempre foram comparadas como se fossem cópias umas das outras (o que em alguns casos até são), mas aqui eu notei uma injustiça maior ainda, o que levou três desses filmes a não alcançarem o merecido destaque na mídia e na boca do povo.

Pois bem, vou listá-los na ordem em que assisti, então comecemos com o meu favorito de todos e também membro do meu famoso Top Quartro de Melhores Filmes do Mundo de Todos Os Tempos Ever Da História do Ramone:

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO!

Para as duas pessoas que não sabem, Scott Pilgrim é a adaptação cinematográfica da uma graphic novel de 6 volumes lançados de 2004 a 2010 (cujo lançamento da última edição fez o filme ter o final regravado, by the way), contando a vida de um cara folgado, gamer e baixista de uma banda que descobre a garota dos seus sonhos e deve, literalmente, lutar por ela.

Eu já escrevi mais a fundo sobre a saga neste post aqui, então vou pular para a parte que interessa: onde entra Scott Pilgrim e sua vidinha preciosa nesse quarteto? Simples: ele é um cara anti-social, só simpatiza com seus amigos, falha na vida e é pisado por seu passado, porém algo acontece e Scott precisa crescer, precisa amadurecer e ficar forte para lutar contra a gigantesca mudança que Ramona Flowers causa em seu mundinho ao aparecer.

Mesmo assim, Scott Pilgrim acaba por ser o membro mais "deslocado" desses quatro, justamente por não focar tanto na parte do herói (que fica apenas como subjetiva no filme), mas na sua evolução como pessoa. Ele não precisa de um uniforme, uma arma ou nada do tipo - ele apenas luta igual nos games!

Aliás, deixem-me fazer deste parágrafo uma grande divagação que acabei fazendo esses dias, e que preciso compartilhar (SPOILERS ENORMES NO PRÓXIMO PARÁGRAFO, NÃO LEIA SE NÃO QUISER SABER DETALHES CRUCIAIS DA HISTÓRIA TODA):

Cheguei à conclusão de que a história pode ser interpretada como uma grande fantasia dentro da mente de Scott: ele não "lutou" literalmente com cada ex maligno da Ramona, mas ele os confrontou, ele a ajudou a superar o passado, a esquecer completamente Gideon que ainda representava algo para ela, e conseguiu assim o amor da moça, que se entrega completamente a ele. Seguindo esse ponto de vista, todas as lutas e demais surrealidades na história seriam apenas uma "válvula de escape" saída da mente de um cara viciado em games da era 16bit. Todos os ex seriam fantasmas do passado de Ramona: Patel, o primeiro beijo; Lucas Lee, o cara descolado; Todd, o bonitão; Foxy, a experiência lésbica; os irmãos Katayanagi como um caso de bigamia (aliás, deixo claro que esses caras foram a coisa mais mal aproveitada no filme, mas mesmo assim geraram uma ótima cena de batalha); e finalmente, Gideon, o primeiro real amor de Ramona. Ela realmente amava Gideon, e após o término do namoro e com a mudança de Ramona para o Canadá, ela teve que o esquecer, porém não foi tão fácil assim, o que a fez se tornar a garota amarga que vemos no filme. Foi somente com a ajuda de Pilgrim que ela conseguiu redescobrir o amor e superar seu passado de mágoas! E claro, também temos a parte de Scott, que, vejamos, se caracteriza por quatro garotas marcantes em sua vida (no filme): Kim, a antiga "peguete" que ele magoou sem querer; Envy, o antigo amor de Scott, que assim como aconteceu com Ramona e Gideon, acabou e não foi esquecido por um deles, deixando-o traumatizado; Knives, a tentativa de Scott de voltar ao mundo dos relacionamentos, de começar tudo de novo pelo jeito fácil e inocente, mas mesmo assim fazendo merda por não perceber que colocou esperanças demais na garota; e finalmente, Ramona, a garota que realmente simboliza a superação de Scott por todas essas desilusões amorosas e pela qual ele arriscaria sua vida. Mas é claro, isso tudo é apenas fruto de uma mente desocupada, porém é um ponto de vista a ser considerado.

Pois bem, concluindo: Scott Pilgrim vs The World apesar de destoar dos outros três filmes com certeza merece uma grande atenção, e vocês todos sabem por quê! Até porque, ele foi injustamente menosprezado no Brasil e em grande parte do mundo por "parecer uma cópia" do nosso próximo filme, que é...

...Kick-Ass!

Apesar de ser um grande filme, foi uma das maiores decepções que tive do cinema de 2010, justamente por ser TÃO falado mas não estar à altura dos comentários na internet. Mas vejamos:

aqui temos a história de Dave, um nerd clichê que ama uma gostosa clichê mas não tem a mínima chance com ela. Eis que, em um dia fatídico na loja de quadrinhos, Dave percebe o quão erradas as coisas estão no mundo, e a partir daí surge sua ideia de se tornar um herói urbano, um cara com fantasia colante sem superpoderes mas que bota ordem no galinheiro mesmo assim!

Com o passar do filme e o desenrolar dos fatos, Kick-ass (o nome que ele deu ao seu alter-ego de fantasia) recebe uma atenção cada vez maior da mídia, o que faz despertar o mesmo senso heroico em um pai viúvo e sua pequena filha. Os dois são podres de ricos e conseguem fazer uma espécia de Batman & Batgirl modernos, com apetrechos dignos do Senhor Ueine.

A diferença entre a família Macready e Dave Lizewski é que enquanto Dave quer fazer justiça para ser um cara foda parecido com os seus ídolos dos quadrinhos, Hit Girl e Big Daddy (se não me falha a memória, os nomes são esses) estão atrás é de vingança contra o chefe do crime organizado da cidade, que foi culpado da morte da senhora Macready e saiu impune.

Fãs do filme e dos quadrinhos que o originou devem estar querendo me comer vivo agora, então eu vou dizer logo: eu não revi o filme para escrever isso, muito menos li os quadrinhos, então se errei algo, apenas comentem educadamente aí embaixo, obrigado.

Enfim, o que me decepcionou muito nesse filme aqui foi o fato de que Dave Lizewski é um Peter Parker genérico, Big Daddy é um Batman mais emotivo (até a fantasia lembra ele) e o "chefaum finau" é um típico clichê de mestre do crime organizado que late ordens de seu escritório chique. Nada de novo, nem a grande moral do filme não conseguiu me fazer gostar desse filme, porém, ta aí. E falando em moral, agora é hora de falar do segundo maior destaque do dia:

Super!

Ok, este filme provavelmente não foi e não será lançado no Brasil, por motivos que não faço a mínima ideia.

Aqui temos a história de Frank D'Arbo, um antissocial extremamente religioso e seguidor dos bons costumes que vive com a mulher, a vagabunda Sarah, uma viciada em tratamento. Eis que um dia entra um Kevin Bacon sob a alcunha de Jacques em seu caminho, e Sarah, apaixonada pelo poder que o cara tem sobre o tráfico de drogas na cidade, larga Frank para morar com o fodão.

E é aqui que o filme realmente começa, em um ponto em especial que resume todo o resto do filme: deprimido pela perda da mulher, Frank começa a ficar paranoico, ter alucinações e todo o tipo de viagem mental, até que decide comprar um gibi e percebe o quanto o mundo parece melhor nas histórias em quadrinhos. Ele vê o bem que os super-heróis fazem, e, numa tentativa de consertar o lixo que é sua vida e ainda melhorar a sociedade em que vive, ele se torna o Crimson Bolt (Raio Flamejante, numa tradução porca -q).

Armado com sua perseverança e eterna paciência, o Crimson Bolt se esconde em cantos escuros pela cidade, esperando "algo acontecer". Não demora muito para ele ganhar a atenção da mídia (claro) e se tornar um meio-termo entre herói e ameaça (claro).

Mas eis que Libby (Ellen Page, sempre uma guria legal de se ver), a atendente da loja de quadrinhos, começa a adorar o Crimson Bolt como um Deus, e ao descobrir que ele é na verdade Frank, se torna a Boltie (Raiozinha, ou coisa assim :3), e passa a "ajudá-lo", sem convite, na luta contra o mal.

Mais uma vez, temos a mesma premissa do fracassado que veste uma fantasia para se tornar algo especial, desta vez avançando um pouco para alguém na casa dos 30, ao contrário dos anteriores que mostravam inocentes juvenis. Mas o diferencial de Super é a fortíssima carga psicológica e emocional centrada em Frank, o pobre Crimson Bolt. Toda a dor de ver a mulher ir para os braços de outro não parece sumir, temos a impressão de que Frank nunca superará isso, pois como acompanhamos, Frank considerava Sarah o amor de sua vida, porém a rotina monótona do american way of life deixou a mulher em depressão, e o carinho que ela possuía por ele foi a primeira coisa a desaparecer.

O spoiler a seguir contém praticamente todo o final do filme, não leia o próxima parágrafo inteiro se não assistiu ao filme.

Ao final do filme, Frank e Libby invadem a casa de Jacques durante a visita de um "superior" da rede de narcotráfico, e é durante a invasão dos dois que temos a maior surpresa do filme todo: Boltie é morta por um tiro certeiro na cara, e aqui ficamos paralisados ao ver o close na cabeça de Libby, arrebentada pelo tiro no olho. Frank então encarna algo que seria o elo perdido entre MacGyver e Han Solo, e decide entrar com tudo e estourar a porra toda. E ele realmente consegue, com vários ferimentos, mas consegue! Então o final do filme mostra mais uma coisa que não esperávamos: Frank consegue "resgatar" Sarah das garras de Jacques, a leva para casa sã e salva e passa a ter uma vida saudável e feliz com a mulher que ama. Só que algumas semanas passam e a mesma sensação de depressão volta a assombrar Sarah, que desta vez, ciente do dano que causou no cara (e dessa vez um pouco mais agradecida após ele ter praticamente salvo a mulher de uns disparos), resolve simplesmente ir embora pacificamente, e manter uma amizade saudável com Frank ao mesmo tempo em que constrói uma nova vida, sem drogas, com um novo marido e até filhos. E aqui entra a grande sacada do filme: todo o lance de Crimson Bolt, Boltie, as mortes e tudo mais foram coisas figuradas na mente de Frank! Após perder a mulher para um chapado, ele caiu em um estado tão forte de depressão que fantasiar tudo isso foi o único jeito que ele achou de passar por toda a barra que é perder um amor. Mesmo assim, Frank encontrou forças em si para seguir em frente, buscar Sarah e colocá-la em uma reabilitação, o que desta vez realmente salvou a vida dela. Temos aqui, senhores, a mesma máxima que Sucker Punch apresentou de forma bem aberta, só que de forma mais implícita: a criação de todo um universo para suprimir uma dor insuportável em alguém muito especial.

Bom, basicamente, Super é isso, um cara legal demais que nunca recebeu um sorriso da vida mas que parece viver bem com isso. Nesse filme percebe-se a forte carga religiosa, determinante para o momento em que Frank decide se tornar o Crimson Bolt. Um dos grandes destaque de 2010 na minha opinião, mas que infelizmente passou batido pela grande massa. E aliás, isso me lembra o quarto e último filme de hoje...

...Defendor!

O que é Defendor, para começo de conversa? Para a indústria de distribuição brasileira, um filme de comédia genérico com um gordo engraçado vestido de super-herói. O que o filme realmente é? Uma grande crítica à maneira como os excepcionais são tratados na sociedade atual, e com praticamente zero de comédia no total.

Aqui temos o caso de Arthur Poppington, que narra, de um consultório psiquiátrico, a sua história como Defendor, o herói das ruas e becos escuros. Desde o princípio percebe-se que Arthur tem problemas mentais, um certo retardo, mas o principal: ele é uma criança em um corpo de adulto, nada mais, nada menos. E como tal, tudo o que ele quer é livrar o mundo do mal, que na visão dele é representado pelo maligno Capitão Indústria.

Certa noite, Defendor salva uma jovem garota de programa de ser espancada e possivelmente morta por seus amigos/fornecedores de drogas/clientes/cafetões/ou sei lá o que eram. Ele decide então deixar a garota morar com ele em sua garagem, uma daquelas típicas warehouses para aluguel tão comuns nos Estados Unidos, onde Arthur mora de favor.

Arthur então conta para Kat (que tem o mesmo nome da atriz que a interpreta, Kat Dennings, outra guria super simpática mas que infelizmente não faz tanto sucesso) o que o motivou a se tornar Defendor: sua mãe era uma viciada em drogas, e devido a uma frase de seu pai que ele entendeu errado ("Ela foi morta por eles... os capitães das indústrias..."), Arthur persegue o tal Capitão Indústria, que ele não faz ideia de quem seja. E aqui Kat, para tirar com a cara dele, diz que um certo figurão do crime da cidade (que por coincidência acaba por ser o maior chefe do narcotráfico e do comércio de prostituição de estrangeiras daquela região do país, tudo num só cara) é o tal Capitão Indústria, e então Defendor decide começar sua batalha final contra o suposto homem que matou sua mãe.

A tagline do filme pode ser usada como uma mensagem de moral já pré-definida: "Fight back!" (algo como "Lute de volta", "Não deixe por menos", ou coisa parecida), o que significa que devemos nos impor à violência, já que estamos tão acostumados a conviver com ela em todos os lugares da sociedade. Vemos violência em tudo, todo o tempo, e nada muda, nunca, e por que? Porque ninguém se opõe. Mas pra mim, essa mensagem acaba ficando secundária, e outra acaba se destacando mais ainda.

Arthur, como já disse antes é uma criança crescida, mas não amadurecida. Ele apenas sabe a diferença entre certo e errado, porém somente isto já lhe basta para ter uma vontade sem fim de mudar o mundo como o conhecemos. Aqui vemos um Woody Harrelson novamente arrebentando todo o elenco com sua atuação carismática, seus trejeitos próprios para o personagem e sua confiança total em si mesmo.

E aqui eu acabo com minhas palavras sobre estes filmes tão incríveis mas ao mesmo tempo tão equivocadamente descartados pela maioria! Claro que sempre há mais a se falar num contexto diferente, porém dentro desse aqui, creio ter atingido meu limite para o momento, haha.

Cheeryo!

domingo, 31 de julho de 2011

John Carpenter's The Ward (Aterrorizada)


Bom, de volta com os reviews de filmes! E que forma melhor de fazer esse retorno se não falando do retorno de um dos grandes mestres do horror moderno, John Carpenter? Pois bem, assisti esse filme numa madrugada sem internet, certo de que Carpenter jamais me decepcionaria.

E querem saber?

EU ESTAVA ERRADO!

Posso não ter assistido todos os filmes dirigidos e/ou escritos pelo grande João Carpinteiro, mas com certeza esse aqui foi o pior de todos! É clichê atrás de clichê, atuações forçadíssimas, efeitos horríveis e um final tão sem graça e usado que chega a dar náuseas. Pois bem, vamos à história dessa desgraça!

O filme começa no Instituto Psiquiátrico de North Bend, em 1966, quando a jovem Tammy (poucos personagens tem sobrenome nesse filme, e esta não é um deles) é assassinada por alguma coisa que não pode ser vista pela câmera. Corta para os créditos, numa linda montagem de fotos com vidros quebrados. Então entra em cena Kristen (Amber Heard, horrível), a qual teremos que aguentar pelo resto do filme. Ela está no meio do mato, correndo, com ferimentos pelo corpo todo. Então ela bota fogo em dois lençóis (usando uma caixa de fósforo que deve ter caído do céu, ou algo assim) e na cena seguinte, ela está de frente a uma enorme casa de fazenda em chamas. A polícia chega (detalhe para um dos policiais que diz "é ela", sinal de que a guria estava sendo procurada) e a leva para o hospital psiquiátrico da primeira cena. Detalhe para o fato de ela não saber o que diabos está acontecendo.

Ao chegar lá, Kristen conhece as outras pacientes, todas as problemáticas de sempre: temos a antipática, a desenhista gente boa, a criança e a chapada. À noite, após revelar-se uma grande rebelde ao não tomar seus remédios, Kristen está dormindo quando sua coberta é puxada para baixo da cama. Ela acorda, e ao puxar a coberta de volta, encontra alguns daqueles cubinhos de letras usados em chaveiros, pulseiras, colares e etc. As letras A, C, E, I e L estão nesses cubos. Com o passar dos dias no hospital, Kristen vai descobrindo que o lugar é assombrado pelo fantasma de uma tal Alice Hudson. E é então que a tal fantasma começa a matar uma a uma as garotas, e Kristen tem que "desvendar o mistério" antes de ser morta também.

Falem a verdade: isso não é praticamente igual a MUITOS outros filmes que você já viu?

Sustos fáceis e completamente previsíveis, a velha de história de mocinha sem sal que se mete no caminho da vingança de um fantasma, mesmo ela não sabendo o motivo dessa vingança, um final "surpreendente", enfim, são vários os clichês que se empilham a cada minuto que se passa desse filme.

Mas a maior cara-de-pau foi o final. Quem não viu o filme ainda e não quer saber do final não leia o próximo parágrafo, pois nele vou revelar pontos importantes da história.

Acontece que após todas as mulheres serem assassinadas, Kristen chega ao escritório do doutor-chefe do hospital e este a diz que o tempo todo foi apenas ela a única internada lá, e seu nome é Alice Hudson. ISSO MESMO! Alice foi sequestrada e feita de escrava sexual durante um longo tempo. Após conseguir escapar, ela deu um jeito de voltar à casa onde estava presa e tacou fogo no lugar, e foi aí que ela perdeu a memória. Devido ao forte trauma de toda a violência que sofreu, Alice criou múltiplas personalidades dentro de sua mente para tentar escapar da realidade (oi Sucker Punch), porém elas acabaram por "matar" a Alice original, fazendo-a se esquecer de tudo. E foi aí que ela criou Kristen, sua nova personalidade que entraria em cena para fazer todas as personalidades entrarem em conflito, eliminando uma a uma até que só restasse uma (OI IDENTITY). Ao final do filme, Alice recebe alta e é levada pra casa pelos pais (que até então não tinham aparecido). A última cena mostra Alice no banheiro, e ao abrir a o armário do espelho, Kristen a puxa gritando e o filme acaba.

Não dá pra acreditar que o gênio que nos brindou com obras como Halloween, They Live, Escape From New York, The Fog, Christine, The Thing (mesmo sendo este uma refilmagem) e tantos outras possa ter feito algo tão baixo quanto este filme. Realmente uma grande decepção.

Ao que me parece, o mercado de horror está se inovando. Grandes mestres estão caindo (Carpenter, Romero, Hooper) e novas mentes brilhantes estão surgindo (Eli Roth, Alexandre Aja, Edgar Wright, entre outros).

Será que ainda poderemos confiar no grande Carpenter para algum futuro novo filme? Só o tempo dirá.

Trailer:

domingo, 20 de março de 2011

Burke & Hare!

Esta é uma história real... exceto pelas partes que não são!

Hello, you guys! Sem tempo para uma introdução bem feita-- venho aqui nesta madrugada de terça para quarta-feira, após quase ter sido assaltado na volta da faculdade, para lhes falar sobre um filme muitíssimo peculiar lançado recentemente: Burke & Hare!

Primeiramente, falemos da equipe: a direção é de ninguém menos do que John Landis, um dos grandes cineastas do horror e suspense dos anos 80, diretor do clássico "Um Lobisomem Americano em Londres", fazendo aqui seu primeiro trabalho em mais de 20 anos!

No elenco, grandes personalidades: meu ídolo-mor da comédia, Simon Pegg, estrela ao lado de Andy Serkis como os dois personagens-título! Além deles, temos também Jessica Hynes Stevenson, antiga companheira de Pegg no clássico britcom" Spaced" (sobre o qual falarei detalhadamente, um dia), Tom Wilkinson, Bill Bailey, Tim Curry e até mesmo uma participação especial do mestre Christopher Lee!


Quanto à sinopse: William Burke (Pegg) e William Hare (Serkis) são dois vagabundos trambiqueiros que não conseguem emprego nenhum, e só vivem de charlatanismos. Até o dia em que um inquilino da esposa de Hare, a bela Lucky (Jessica Stevenson, aqui creditada como Jessica Hynes) morre, e cabe a eles despacharem o corpo. Sem ideia do que fazer com o cadáver do velho, eles vão à taverna encher a cara e descobrem que um médico da cidade está disposto a pagar por corpos frescos que sejam entregues a ele, para fins de dissecamento em aulas. Só para constar, ao início do filme, um carrasco nos mostra a situação atual do departamento médico da cidade: um dos maiores e mais antiquados professores-cirurgiões, o Professor Monro (Curry) conseguiu um mandado que lhe garantia exclusividade sobre todos os defuntos da cidade, o que deixou o também médico e professor de medicina Dr. Knox (Wilkinson) com o cu na mão.

EIS QUE Burke e Hare entram em contato com o Dr. Knox, e passam a servir-lhe corpos recém-mortos para suas aulas, o que lhe garantirá uma maravilhosa vantagem sobre seu nêmesis, Professor Monro. Além disso, Joseph Nicephore (Allan Dorduner), um excêntrico francês, descobre um meio de registrar permanentemente as descobertas do Dr. Knox: por meia da maravilhosa técnica da FOTOGRAFIA!
Os negócios vão muito bem obrigado, quando Burke conhece Ginny Hawkins (Isla Fisher), uma atriz amadora que planeja encenar Macbeth apenas com mulheres. Burke se apaixona por ela e promete financiar sua peça, mesmo não tendo condições para tanto (esse fato deixa uma dúvida: teria sido Burke um ancestral de Bill Gates? HAHAHA).

Além de toda essa situação, Burke e Hare são "abduzidos" por Danny McTavish e seu lacaio, Fergus, que exigem parte do lucro sobre os cadáveres. Em troca, eles não deixarão ninguém interferir no "serviço" dos dois, porém, caso algo saia contra a vontade de McTavish, ele os matará. Feito o trato, os dois William passam a matar várias pessoas na calada da noite e levar os corpos para o Dr. Knox, que progride cada vez mais em seus estudos sobre o corpo humano.


Essa é a sinopse ~básica~ que consigo tirar do filme, com alguns spoilerzinhos, mas nada demais. Fato é que essa história é baseada em fatos reais: tais crimes todos ocorreram, porém alguns nomes foram adulterados no filme, e muitos detalhes foram adicionados para se ter uma maior área para se trabalhar. Mesmo assim, aliás, até mesmo se fosse uma história fictícia, Burke & Hare funciona de uma maneira tão linda que é como se estivéssemos vendo as coisas como realmente aconteceram, com toques extras de humor negro.

Simon Pegg aqui prova definitivamente que não precisa de Nick Frost a seu lado para ser o destaque do elenco, seja nas cenas sérias, seja nas cômicas, seja nas emotivas. Mesmo que seu talento não seja aproveitado a um nível tão grande como quando os dois trabalham juntos, aqui ele consegue se destacar dos demais nesses mesmos fatores citados.

Não pesquisei muito a fundo a história original, então não sei se as cenas em que os destinos de cada personagem são contados é verídica, mas que são realmente muito fodas, isso são. Deram um jeito até de enfiar Darwin na porra toda!


Enfim, esse é Burke & Hare, definitivamente não é dos melhores filmes de 2010, mas com certeza vale assistir. Não espere pouco, não espere muito, o melhor aqui é ficar em cima do muro mesmo, pois se você não for fã do Pegg como eu sou, talvez se decepcione. E claro, não esqueça de prestar atenção nos hilários sotaques irlandeses da dupla principal, com direito a falas marcantes como HOLY SHAIT!! e coisas do tipo.

Carry on!

terça-feira, 1 de março de 2011

Discos que todo mundo deveria ouvir! (parte 1)

Hail! Venho aqui hoje para mostrar a vocês alguns discos de diversos estilos (quase todos provindos do rock 'n' roll, claro) que, em minha opinião, servem como uma "escola" para quem quer aprender a gostar de boa música. Então, vamos lá!

Pink Floyd: The Wall

Neste disco duplo conceitual, Roger Waters nos conta a história de um músico que depois de sofrer opressão por parte da mãe, dos professores e da mulher, constrói um muro dentro de si, separando-o do mundo exterior. Nem tenho muito o que falar sobre esse disco, é praticamente meu disco favoritos no mundo todo! A sonoridade, as letras, a história em si, cada detalhe... é tudo tão lindo, uma música dá continuidade à anterior com perfeita sincronia. Destacam-se: Another Brick on The Wall partes I, II e III, The Happiest Days of Our Lives, In The Flesh? e Mother no disco 1, e Comfortably Numb, Hey You, In The Flesh e Run Like Hell no disco 2.

Led Zeppelin - Led Zeppelin I

O disco de estreia de uma das mais importantes bandas da história do rock com certeza merece destaque aqui. O Led aqui mostra-se jovem, com vigor, tipo de imagem que se fixaria no próprio rock 'n' roll em si, e deixando um pouco o aspecto hippie calminho dos anos 60. Esse tipo de mudança radical na sonoridade e estilo do rock também foi ajudada pelo Black Sabbath. Os solos da guitarra de Jimmy Page, os vocais loucos de Robert Plant, o balanço de John Paul Jones e a bateria destruidora de John Bonham compoem este disco singular, indispensável para qualquer fã do verdadeiro rock 'n' roll. Destacam-se Communication Breakdown, Good Times, Bad Times, Dazed and Confused e You Shook Me.

The Ramones - The Ramones

Ah, chegamos à minha banda favorita! Embora aqui eu não mostre meu disco favorito deles, trago a sua estreia, o disco-título da banda que os fez famosos em New York em 1975! Gravado em mono, com o baixo saindo do lado esquerdo e a guitarra do lado direito, o disco contém 14 músicas que se tornariam clássicos do punk rock essencial. A abertura, com o famoso hino ramônico Blitzkrieg Bop, é de arrebentar, e assim o disco se mantem, num ritmo sempre alto e sempre enérgico. Destacam-se a já citada Blitzkrieg Bop, Beat on the Brat, 53rd & 3rd, Listen to my Heart, Today Your Love, Tomorrow The World e Judy is a Punk.

Iron Maiden - Brave New World

Muitos fãs do Maiden vão ficar putinhos por eu destacar esse álbum, e não o Powerslave ou algum outro dos anos dourados. Mas pra mim, esse cd gravado e lançado em 2000 com toda a certeza merece um destaque maior que o que possui. Foi o disco que ressuscitou o Iron Maiden, depois do buraco sem fim em que a banda se meteu com a entrada de Blaze Bayley nos vocais, lá por 1993. Aqui, além da volta de Bruce Dickinson, temos também de volta Adrian Smith, deixando o Maiden agora com três guitarras, que alternam entre si nos solos de cada música, completando-se e mostrando técnicas diferentes que se combinam em uma só! Destaques do disco: The Wicker Man, Blood Brothers, Brave New World e a linda Dream of Mirrors.

AC/DC - T.N.T.

Que se foda Back in Black: esse aqui SIM é um disco PERFEITO para conhecer a maior banda de Hard Rock da história! Lançado somente na Austrália em 1976, T.N.T. nada mais é do que uma compilação dos dois primeiros discos da banda (High Voltage e Dirty Deeds Done Dirt Cheap, e estou falando das versões australianas dos mesmos), uma espécie de coletânea com as músicas que fizeram mais sucesso até então. Fica difícil destacar faixas, já que TODAS aqui são incríveis e se tornaram clássicos. Mas, fico com Rocker, High Voltage, School Days e TNT.


Então é isso pessoal, espero que tenham curtido minha lista, e quem não conhece nada disso aqui, vá procurar agora mesmo! Fiz esse post mais com a ideia de divulgar bandas clássicas do que para realmente falar dos discos, então, mexam-se! Talvez em breve, eu ou o Guilherme façamos mais posts como esse, mas por enquanto, contentem-se com isto! (E parabéns de novo ao Jensen Ackles \o/)
Carry on!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

127 Horas (127 Hours) - Por Alyson Xyzyz


Análise por Alyson Xyzyz

A cada segundo da rodagem de “127 horas” me despertava uma forte alusão aos diretores Sean Penn e Darren Aronofsky. Imaginei o primeiro realmente dando vida ao ambiente dentro do personagem, como fez com Christopher McCandless em Na Natureza Selvagem e pus na ideia Aronofsky pegando as ilusões de Aron e de fato as colocando a fundo como fez com Sara Goldfarb em Requiem para um Sonho. Porém, não despertou a vontade de ter outro diretor para nos mostrar o dom de infundir seu material com uma energia vibrante e de manter o interesse narrativo através da imagem como faz Danny Boyle. Uma pena oscilar como o deserto, tendo sua imagem a 50°C e sua subjetividade a 0°C.
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127 horas, então, parece ser a combinação perfeita de desafiar o material e os recursos de Boyle que traz uma história de vida com sua abordagem que abre leques a uma profundidade nunca infusa. Danny sempre foi um cineasta vistoso tendo sua própria tendência, mas sua narrativa sempre apresenta a dificuldade de chegar à complexidade que as cenas materialmente aparentam ter. O roteiro de “127 horas” sofre de problemas bem semelhantes ao de Quem quer ser um Milionário? O texto sempre apresenta alguns elementos de situações previsíveis que geram outras ainda mais previstas e que, mesmo que seja filmada de maneira extremamente original e ao estilo visceral da câmera de Boyle, acabam tendo uma subjetividade rasa e que raramente consegue atingir o pico da abstração das cenas.
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O Objeto de Boyle é Aron Ralston (James Franco), um aventureiro de 28 anos de idade que, em 2003, estava caminhando sozinho no Blue John Canyon em Utah, quando escorregou e, posteriormente, encontrou-se no fundo de uma fenda estreita com o seu braço direito preso entre uma pedra solta e as paredes do cânion. O fato é que a maioria das pessoas já conhece o método de fuga de Aron (Aqui um exemplo de Previsão que caminha para mais momentos previsíveis) antes de qualquer coisa.

Além disso, O título do filme se refere à quantidade de tempo que ele passou naquela fenda, com pouca comida ou água, resistindo noites de frio e da crescente percepção de que ninguém estava vindo para resgatá-lo. E óbvio que essa percepção cresce para o espectador também, o que anula totalmente a seqüência“CGIzada” da chuva com efeito neutro e dispensável .
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As mesmas características podem ir para os personagens. O espectador não tem a possibilidade de apego nenhum à figura principal, que dirá as demais que passam diante da tela, sem espaço para construção e até mesmo sem coerência com o modo que um personagem se relaciona com o outro. Talvez por isso que a tentativa crucial de Aron para se libertar da pedra é somente visual e não sentimental, o que um equilíbrio entre ambos sensores poderia resultar num momento ainda mais profundo. Ainda assim, há uma tensão como nós esperávamos. Em seus raros momentos de horror, 127 Horas consegue nos prender nessa fenda com Aron e nos faz marcar os minutos e horas até chegar o inevitável. Para deixar o filme dinâmico são usadas as distrações visuais de Boyle pela maneira que ele transforma o sofrimento num estranho conto em que Aron sofre as ilusões nas chamas de sua própria mente que seu espírito transcende a vida e as pessoas com quem compartilhou momentos marcantes.
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Boyle também enfrenta o desafio principal do filme de como preencher as 127 horas, para a monotonia do aprisionamento não transformar o filme em um furo e o refúgio disso é o seu hábito visual, rejeitando a noção do tempo real em favor de uma implacável edição. Com a fotografia nas mãos de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle, às vezes, essa abordagem funciona perfeitamente, com as imagens distorcidas e ângulos inclinados desenhando a desidratação da mente de Aron. Em outros momentos, o filme se foca tanto nisso, que não estabelece fusão com a experiência emocional e espiritual de Aron.

Outra curiosidade é como a trilha sonora distorce determinadas situações em algumas cenas, que às vezes esmaga a ação na tela. Em certos momentos de tensão a trilha não coincide com o ato e chegamos a conclusão que visualmente e sonoramente, 127 Horas muitas vezes fica em contradição consigo mesma, competindo por nossa atenção.
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As coisas só não pioram porque Boyle tem um ator magnífico chamado James Franco, cujo desempenho como Aron fornece o coração do filme e mantém seus batimentos. Franco transmite um rapaz convencido, confiante e por isso um tanto imprudente que tem sua confiança testada ao extremo quando ele é preso. E James consegue isso com uma facilidade incrivel, ainda mais convicto em situações de entusiasmo, já que o roteiro não proporciona um drama tão profundo como poderia ter, mas ainda assim a brincadeira com a câmera simulando uma entrevista beira a genialidade.
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O que nem chega perto de ser genial é o momento mais aguardado do filme que só serve para fechar a ausência de abstração que Danny Boyle não consegue passar desde seu ultimo trabalho. Sei que o texto que acabara de ler é cheio de contradições, entre elogios e desleixos de minha parte, mas a perfeição das imagens são incontestáveis, mas se o filme tivesse mais uns dez minutos já estaria me embrulhando o estômago, algo que, numa cena com uma premissa desconcertante não acontece (que é a ultima atitude para sobreviver de Aron). Pode cansar os olhos, mas nunca atingir nosso coração.
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Chego então a conceito de que o filme de Boyle mais uma vez apresenta um cinema muito superficial, num estilo próprio incompleto, que não atende todas as necessidades de uma boa obra e que, por mais que capriche em tantos quesítos ainda falha no roteiro, que pode não ser a alma de todos os filmes, mas aqui senti a necessidade de ter a minha transportada para dentro do Cânion e ficar preso na pedra junto ao personagem.
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Nota 7,5